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Quem de nós bateristas nunca passou pelo constrangimento de alguém da igreja (técnico de som, pastor ou até mesmo uma pessoa que estava no culto) dizer que o som da bateria estava insuportável durante o louvor? Quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra (rs).



Esse é um problema recorrente e de longa data. Quando eu comecei a tocar (há 30 anos atrás), esse problema já existia e naquela época muitos ainda resistiam a utilização da bateria nos cultos.



Atualmente tenho percebido que esse problema vem se agravando e gerando consequências mais graves para as igrejas como Boletins de Ocorrência e multas. Além disso, particularmente eu creio que uma igreja 'barulhenta' afasta as pessoas que ainda não conhecem a Jesus e mesmo sem intenção acabam comunicando um mau testemunho.



Muitos pastores e líderes de louvor entram em contato comigo, pedindo dicas de como controlar o som da bateria em suas igrejas. Embora eu não seja um engenheiro de som, eu já toquei em diferentes igrejas por todo Brasil e já presenciei aqui na minha igreja - Vineyard Piratininga - algumas soluções, simples, baratas e altamente eficazes que nos ajudaram a manter o volume da bateria confortavelmente para todas as pessoas.



Bom ? eu sempre digo que a questão do volume alto da bateria nas igrejas é resultado de duas falhas: Falha na acústica do salão da igreja e falha na maneira de tocar do baterista.



A primeira providência para começar a resolver esse problema é analisar a acústica da igreja. O ideal seria contratar um engenheiro acústico para fazer um projeto customizado para o salão de culto, porém eu sei que nem sempre isso é viável financeiramente, por isso existem algumas 'receitinhas caseiras' que funcionam muito bem, por exemplo:



Procure utilizar materiais absorventes como tapetes, cortinas, forros de lã de rocha, madeira, poltronas almofadadas, eu sei que fica mais difícil para manter a higienização, mas é o que realmente funciona. Se na sua igreja possui materiais como porcelanato, vidros nas laterais, forro de PVC ou de gesso, mármore ou granito, será praticamente impossível sonorizar qualquer instrumento ou até mesmo o microfone do pastor durante a pregação, pois esses materiais são reflexivos, ou seja, propagam eco e reverberação descontrolada dentro do salão.



Outro grande erro que muitas igrejas cometem é colocar o 'aquário na bateria', aquela barreira de vidro que envolve a bateria, acreditando que vai resolver o problema do volume. Isso é um grande engano, o aquário é mais um material reflexivo que propaga reverberação que você acaba de colocar dentro do seu salão. A situação ainda pode ficar ainda pior, pois geralmente junto com o aquário as igrejas acabam usando um sistema de amplificação do som da bateria. Eu estou cansado de ver igrejas com 200 pessoas, usando aquário na bateria, juntamente com microfones em cada peça da bateria. Acredite ? isso é praticamente impossível de dar certo, é o famoso efeito 'bola de neve', onde para resolver um problema, você acaba tendo que optar por outros recursos ainda piores.

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Você quer um bom exemplo de local apropriado e com conforto acústico? Basta prestar a atenção em uma sala de cinema que facilmente você vai notar a presença de carpetes, poltronas almofadadas, forro angulado feito com lã de rocha. É claro que além dos materiais certos as salas de cinema ainda contam com um projeto feito por um engenheiro, mas vai por mim ? elas são ótimas referências para o salão de culto da sua igreja.



Bom ? além da necessidade de adequação acústica que normalmente não está na nossa alçada, existe também a necessidade de adequação na maneira de tocar, essa sim é a parte que cabe a nós bateristas. Eu tenho um conceito muito claro em minha mente, relacionado a mixagem. Eu creio de todo coração que a voz do ministro de louvor precisa estar em evidência na mixagem da banda. Ele é quem está liderando e se comunicando com a igreja durante a ministração. Por esse motivo, via de regra eu jamais tocaria a bateria num volume que atrapalhe a voz do ministro de louvor.



Outro ponto importante é a escolha adequada do kit de bateria. Se sua igreja é relativamente pequena, não faz sentido usar 7 ou 8 pratos pesados, pedal duplo e outros efeitos. Não se trata de querer limitar sua capacidade técnica, mas de apenas simplificar para que tudo funcione bem. Não podemos esquecer que a equipe de louvor é responsável por tomar todas as medidas possíveis para encorajar a igreja a se envolver na adoração de forma agradável.



Outra providência que com certeza vai te ajudar a controlar o som da sua bateria é a manutenção. Uma bateria com as peles em bom estado e com todos os componentes funcionando plenamente, é o primeiro passo para conseguir extrair um som confortável. Explore também outros tipos de baquetas, existem hoje no mercado diferentes opções, pesos e medidas. Nós podemos tocar levadas mais tranquilas com as vassourinhas, temos também uma opção intermediária que são as baquetas Rodhes e também temos as baquetas convencionais que você já está acostumado.



Enfim ? o encorajamento é SIMPLIFICAR. Eu sei que isso é quase uma utopia nos dias atuais, mas acredite ? até poucos meses atrás aqui na nossa igreja tocávamos apenas com um microfone no bumbo e até hoje tocamos sem o aquário. Temos cerca de 400 pessoas em cada culto e somente agora com as transmissões ao vivo é que adotamos microfones no kit completo.



É possível transformar sua maneira de tocar e o volume da bateria na sua igreja, fazendo esses pequenos ajustes. Tenho certeza que se você colocar essas dicas em prática, em pouco tempo verá uma grande evolução na sonorização da sua igreja.???????????????????